Dali deixa-se gostar. Seja a sua reduzida dimensão, o seu Inverno ameno e ensolarado ou o ritmo indolente do seu quotidiano, há algo por aqui que convida a ficar, a ver passar o tempo enquanto se passeia ao acaso ou se passa uma tarde de leitura num dos cafés que por cá foram abrindo ao gosto ocidental.
É uma cidade turística? É, sobretudo desde que, de há alguns anos a esta parte, caiu no goto dos turistas chineses. A este propósito, é elucidativo o facto de, bem no centro da Cidade Velha, se encontrar uma Foreigners Street, cheia daquilo que se supõe poder apelar aos gostos - e à carteira - dos visitantes.
Mas ao contrário da sua vizinha Lijiang, cujo coração há muito foi substituído por uma estética de plástico bem ao estilo de uma qualquer Disneylândia, em Dali ainda se sente o sangue local a correr nas veias, ainda se vê a vida de todos os dias misturada com a corrente de turistas que alimenta lojas e estabelecimentos de restauração. E aqui, em Dali, facilmente uma pessoa escapa para o azul do lago Er Hai ou para as vistas esplendorosas da montanha Cangshan. Dali existe no enclave entre um e outro e ambos moldam visivelmente a sua dinâmica e a sua psique.
Talvez seja por isso que no Hostel encontro vários residentes de longo prazo que decidiram ficar alguns meses a aprender chinês. Talvez seja por isso que eu própria me deixo desacelerar do ritmo da viagem, adoptando o passo tranquilo de quem já cá estivesse há muito tempo, e incluo mentalmente este pequeno aglomerado urbano entre as minhas duas cidades favoritas das que visitei na China - sendo a outra Chengdu.
Aí, tenho amplo motivo para me entreter. Maravilho-me com as formas e textura desconhecidas, encolho-me perante os cheiros invasivos, observo, curiosa, e invado discretamente a privacidade do momento com a minha câmara. Por vezes recebo olhares inquisitivos e então, acanhada, guardo a câmara e passo adiante.






Querida Adriana, Depois de várias tentativas para saber novidades sem sucesso, esmoreci nas visitas, mas hoje vi e li tudo por atacado. Um prazer saber da China pelo teu olhar atento. Como mãe arrepiei-me um pouco com a tua solitária gripe mas já lá vai. Agora serei mais assídua. Beijinhos Leonor
ResponderEliminarQue palavras tão simpáticas, muitíssimo obrigada, Leonor! Fico feliz por receber as suas visitas e espero, de ora em diante, corresponder de forma mais assídua. Um beijinho.
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