Encontro, na China, uma forma singularmente aberta de viver o espaço público, sem pudores aparentes, quase como se de uma extensão da privacidade do lar se tratasse.
Apesar da irritação que algumas das liberdades tomadas à vista de todos me possam causar - recordo-me do passageiro de comboio que se entretinha a cantar a plenos pulmões a música que ouvia nos headphone ou daqueles que faziam da mesinha partilhada à janela repositório para cascas de sementes - existe nesta forma de estar em colectivo uma candura que me parece, noutros momentos, encantadora e invejável.
É essa candura que permite que, sem desnecessária vergonha, as pessoas saiam para as praças e parques públicos das suas cidades, enchendo de música, dança e movimentos de tai-chi o escuro do fim do dia ou da primeira manhã. É ela que impele os mais velhos a fazerem seus os jardins, pendurando gaiolas de pássaros nos ramos das árvores e ficando a ouvi-los cantar enquanto lêem o jornal. É por ela que, sobretudo aos fins-de-semana, os parques municipais se vêem ocupados por cantores de karaoke, senhoras desfilando em passarelas improvisadas e gente jogando toda a sorte de jogos habituais e invulgares, desde o mahjong e as cartas ao badminton de pés e ao pião movido a chicote.
É essa candura que permite que, sem desnecessária vergonha, as pessoas saiam para as praças e parques públicos das suas cidades, enchendo de música, dança e movimentos de tai-chi o escuro do fim do dia ou da primeira manhã. É ela que impele os mais velhos a fazerem seus os jardins, pendurando gaiolas de pássaros nos ramos das árvores e ficando a ouvi-los cantar enquanto lêem o jornal. É por ela que, sobretudo aos fins-de-semana, os parques municipais se vêem ocupados por cantores de karaoke, senhoras desfilando em passarelas improvisadas e gente jogando toda a sorte de jogos habituais e invulgares, desde o mahjong e as cartas ao badminton de pés e ao pião movido a chicote.
Nestes momentos, há um caleidoscópio de vida que se oferece ao olhar atento de qualquer observador, uma rara oportunidade de ler mais fundo nas caras e corações destas gentes habitualmente reservadas, que, com palavras, jamais contariam tanto de si.
Não sei se leio bem o que me contam estes pequenos retalhos de vida sobre quem os protagoniza, as suas intenções e sentimentos. Não sei se constato factos ou meramente projecto idealizações. É o desafio constante da escrita de viagens. Mas fica registada aqui a impressão, juntamente com algumas fotografias, para que o tempo e a experiência a venham confirmar ou desmentir.
Não sei se leio bem o que me contam estes pequenos retalhos de vida sobre quem os protagoniza, as suas intenções e sentimentos. Não sei se constato factos ou meramente projecto idealizações. É o desafio constante da escrita de viagens. Mas fica registada aqui a impressão, juntamente com algumas fotografias, para que o tempo e a experiência a venham confirmar ou desmentir.
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| Danças ao fim do dia, em Chengdu |
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| Manejando espadas, em Lijiang |
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| Badminton de pés, em Pequim |
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| Pião e chicote, em Chengdu |




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