sábado, 1 de fevereiro de 2014

Amor à segunda vista em Chiang Mai - parte II

Espanta-me que não tenha incendiado a casa. Espanta-me que me tenha atrevido a brincar com o fogo e não tenha queimado couro e cabelo no dia em que pegaram em mim e me levaram para uma quinta nos arredores de Chiang Mai, para me ensinarem os segredos da culinária tailandesa.

Mas assim quis a sorte que eu me surpreendesse a mim mesma com as minhas (até aí perfeitamente ocultas) habilidades culinárias. Posso agora, com todo o orgulho devido à ocasião, afirmar que caril, manga com sticky rice, pad thai e outras receitas populares deixaram de ter mistério para mim.

Ou quase. A verdade é que a nossa experiente e risonha professora nunca andava muito longe de cada fogão, pronta a acorrer a fogos e emergências várias, caso se suscitassem. E apesar de aprendermos a cozinhar os pratos desde o zero, a verdade é também que alguma alma caridosa tivera já o incómodo de descascar, lavar e cortar a maior parte dos ingredientes necessários às nossas brilhantes criações.

Assim sendo, reunidos em turma numa sala ampla e com balcões a toda a volta, não foi difícil seguir as instruções que nos iam sendo dadas, em formato acessível tanto ao perito gastronómico como ao trapalhão a fritar ovos.

Mas adianto-me, porque o dia não começou aí, na quinta. Começou, como tudo na vida, no princípio. E o princípio de todos os cozinhados é o mercado, onde fomos aprender a fazer leite de côco, escolher vegetais e verduras vários e distinguir diferentes tipos de arroz (o sticky rice com bago claramente mais branco, arrendodado e polido que os demais).

A isso seguiu-se uma ronda nas hortas mantidas pela escola de culinária que organizava o evento, com uma interessantíssima introdução ao mundo dos legumes e ervas de cheiro tailandesas. Cheirando, provando, mexendo e anotando mentalmente todo um novo mundo de estímulos sensoriais, fomos abrindo caminho até à zona da cozinha.

E só então, devidamente introduzidos ao tema, partimos para a prática. Porque tudo o que se cozinha é para ser comido, o dia foi passado num banquete interminável, com prato após prato a sair directamente das nossas mãos para os nossos estômagos estonteados com a alarve abundância.

No fim de tudo, com um saquinho de pad thai guardado para a ceia, rebolei para dentro da carrinha que nos levaria de volta à cidade. Por azar, verdadeiro azar dos Távoras, tinha tido a falta de tino de combinar um jantar para esse mesmo dia, de modo que o caminho de regresso a Chiang Mai foi passado a instar o meu corpo à digestão urgente. Perante tais apelos, o meu corpo, com o bom senso natural que lhe assiste, fez-se de mouco.

Não, os bagos de arroz não são criados iguais
Aprendendo a fazer pasta de caril vermelha
Inesperadamente, uma deliciosa sopa Tom Yum
sai da minha panela
Ao jantar, abrindo o saquinho de pad thai que
não consegui comer durante o
grande banquete

2 comentários:

  1. Antecipo belas provas em Lisboa...que uma alma caridosa há de trazer na sua bagagem, lá, do místico Oriente...

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    1. Podes contar com isso! Não garanto é que, sem supervisão, não esturrique a cozinha por aí... ;)

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