Nas águas turvas do rio um branco intenso de espuma ergue-se à nossa passagem. O céu é azul-impossivelmente-azul, a água mais térrea que nunca e o ar derrama-se sobre a pele misturado com ocasionais salpicos.
Para muitos visitantes, é assim que começa o Laos.
De Huay Xai a Luang Prabang são dois dias de lenta navegação pelo rio Mekong abaixo, entre aldeias perdidas no tempo, colinas vestidas de verde e pequenas formações rochosas precipitadas para a superfície das águas por forças tectónicas primitivas.
Se ancoramos a recolher ou a largar carga e passageiros, olhares infantis, tímidos mas curiosos, não tardam a vir saudar a nossa chegada. Às vezes um coro de pequenas mãos acena e entre os do barco há sempre alguém que responde entusiasticamente.
Mais adiante é um grupo de homens sentados em roda de umas cervejas que devolve o nosso olhar com um sorriso, regressando depois à cavaqueira amena entre si.
Por vezes a estadia no ancoradouro demora uns minutos, enquanto alguns passageiros locais desembarcam pesados volumes para os morros de terra e caminham depois, com eles às costas, até desaparecerem por entre árvores e casario. Então a minha mente errante deixa-se levar por perguntas sobre a vida destas pessoas, as que se vão do barco, as que vêm da aldeia, as crianças que nos acenam, a mãe que carrega um pequenino ao colo, o homem que caminha descalço pelo enlameado junto à água, o outro que habilmente manobra uma embarcação ao redor da nossa.
Se ancoramos a recolher ou a largar carga e passageiros, olhares infantis, tímidos mas curiosos, não tardam a vir saudar a nossa chegada. Às vezes um coro de pequenas mãos acena e entre os do barco há sempre alguém que responde entusiasticamente.
Mais adiante é um grupo de homens sentados em roda de umas cervejas que devolve o nosso olhar com um sorriso, regressando depois à cavaqueira amena entre si.
Por vezes a estadia no ancoradouro demora uns minutos, enquanto alguns passageiros locais desembarcam pesados volumes para os morros de terra e caminham depois, com eles às costas, até desaparecerem por entre árvores e casario. Então a minha mente errante deixa-se levar por perguntas sobre a vida destas pessoas, as que se vão do barco, as que vêm da aldeia, as crianças que nos acenam, a mãe que carrega um pequenino ao colo, o homem que caminha descalço pelo enlameado junto à água, o outro que habilmente manobra uma embarcação ao redor da nossa.
Nos intervalos de rio sem gente à vista, as conversas, a cerveja e o sono vão entretendo o tempo dentro do slow boat, como é por aqui conhecido o barco pachorrento em que me encontro.
As águas são calmas, quase inertes, e depressa se dissipa o meu receio de enjoo, forjado ao longo de anos de estradas sibilantes e ferries e cacilheiros mal digeridos.
Pela primeira vez desde que saí de Lisboa viajo com companhia. Quero dizer, pela primeira vez faço planos conjuntos de viagem, para lá dos encontros e reencontros fortuitos que a deslocação contínua me vai proporcionando.
Conheci a L. e a R. em Chiang Khong e daí acabámos por partir juntas, porque o itinerário era comum. Não é necessariamente fácil abandonar os hábitos da viagem a solo, uma vez instalados, mas com estas duas amizades nascentes a conversa mostrou-se fácil logo de início e a companhia prazenteira. Não o sei, nem o pressinto ainda, enquanto deslizo na manhã clara e azul sobre o Mekong, mas muitas das melhores memórias da minha estadia no Laos ficarão ligadas a estas duas presenças inesperadas.






Sem comentários:
Enviar um comentário