Quem sabe o que nos faz gostar ou não de uma cidade? Que alquimia particular existe por detrás desse primeiro olhar que nos apaixona ou repugna, ou simplesmente desinteressa? Facto é que o essencial ao coração de uns é tantas vezes invisível aos olhos de outros. E para mim assim foi, em Banguecoque.
Nesta cidade dispersa e massificada, pouco me comoveu ou fez sonhar. Tocou-me o esplendor dourado dos templos e a delícia inegável das banquinha de comida de rua. Mas perturbou-me sentir que qualquer um deles foi já, de certo modo, convertido na caricatura perfeita de si próprio, reduzido ao triste fim de produto para consumo turístico em grande escala.
Depois os sorrisos. Essa bandeira nacional tailandesa em progressiva extinção na capital, onde a amabilidade por vezes parece um instrumento comercial entre outros, rápido a desaparecer sem rasto assim que a ausência de intenção de compra é declarada.
Em completa justiça, devo precisar que cometi um grave erro estratégico. Escolhi, em retrospectiva mal, ficar alojada na cidade velha, perto da meca turística que dizem ser Khao San Road e que, parece-me a mim, pouco mais consegue ser que a expressão corpórea daquilo que de pior o turismo pode fazer a uma terra.
Caminhando pelas ruas, vejo pensões e hostéis aglomerados como formigas, alguns ladeados de bares e restaurantes preparados para a melhor noite de farra, outros por casinhas de massagens e agências de viagens lutando por uns minutos de atenção. Vejo bancas de roupa a perder de vista, dificilmente diferenciáveis umas das outras, e no intervalo destas, bancas de rua vendendo o mesmo pad thai e a mesma manga com sticky rice. Os mesmos dizeres, os mesmos preços, os mesmos produtos típicos, multiplicados até à exaustão. Ruas que são uma sucessão de espelhos reflectindo outros que os refectem a si.
Uma cidade é uma cidade é uma cidade, terá sido isso? Terá Banguecoque sido vítima das minhas expectativas elevadas e da simples semelhança fundamental que afecta todos os grandes aglomerados urbanos?
Talvez. Ou talvez seja só esta parte da cidade em particular. Sair daqui, porém, revelou-se difícil. Ruas cortadas e transportes alterados converteram este bairro desprovido de sky train ou metro num enclave para dentro do qual se resvala facilmente. Sair de taxi é possível mas caro e custa pelo menos o tempo de deixar passar uns quantos até que um deles se diaponha a ligar o taxímetro. Muito poucos o querem fazer, agora que o trânsito leva tempos infinitos a circular em Khao San, insistindo antes na negociação directa do preço.
Digo a mim mesma que talvez haja melhor Banguecoque fora deste lugar e que talvez um dia eu regresse para a viver. Decido, por ora, suspender o julgamento, adiá-lo para outra visita, sem Khao San e arredores, sem protestos, sem expectativas atravessadas no caminho da pura realidade.
Nesta cidade dispersa e massificada, pouco me comoveu ou fez sonhar. Tocou-me o esplendor dourado dos templos e a delícia inegável das banquinha de comida de rua. Mas perturbou-me sentir que qualquer um deles foi já, de certo modo, convertido na caricatura perfeita de si próprio, reduzido ao triste fim de produto para consumo turístico em grande escala.
Depois os sorrisos. Essa bandeira nacional tailandesa em progressiva extinção na capital, onde a amabilidade por vezes parece um instrumento comercial entre outros, rápido a desaparecer sem rasto assim que a ausência de intenção de compra é declarada.
Em completa justiça, devo precisar que cometi um grave erro estratégico. Escolhi, em retrospectiva mal, ficar alojada na cidade velha, perto da meca turística que dizem ser Khao San Road e que, parece-me a mim, pouco mais consegue ser que a expressão corpórea daquilo que de pior o turismo pode fazer a uma terra.
Caminhando pelas ruas, vejo pensões e hostéis aglomerados como formigas, alguns ladeados de bares e restaurantes preparados para a melhor noite de farra, outros por casinhas de massagens e agências de viagens lutando por uns minutos de atenção. Vejo bancas de roupa a perder de vista, dificilmente diferenciáveis umas das outras, e no intervalo destas, bancas de rua vendendo o mesmo pad thai e a mesma manga com sticky rice. Os mesmos dizeres, os mesmos preços, os mesmos produtos típicos, multiplicados até à exaustão. Ruas que são uma sucessão de espelhos reflectindo outros que os refectem a si.
Uma cidade é uma cidade é uma cidade, terá sido isso? Terá Banguecoque sido vítima das minhas expectativas elevadas e da simples semelhança fundamental que afecta todos os grandes aglomerados urbanos?
Talvez. Ou talvez seja só esta parte da cidade em particular. Sair daqui, porém, revelou-se difícil. Ruas cortadas e transportes alterados converteram este bairro desprovido de sky train ou metro num enclave para dentro do qual se resvala facilmente. Sair de taxi é possível mas caro e custa pelo menos o tempo de deixar passar uns quantos até que um deles se diaponha a ligar o taxímetro. Muito poucos o querem fazer, agora que o trânsito leva tempos infinitos a circular em Khao San, insistindo antes na negociação directa do preço.
Digo a mim mesma que talvez haja melhor Banguecoque fora deste lugar e que talvez um dia eu regresse para a viver. Decido, por ora, suspender o julgamento, adiá-lo para outra visita, sem Khao San e arredores, sem protestos, sem expectativas atravessadas no caminho da pura realidade.
Estive em Banguecoque há anos, por volta de Maio. Ia em trabalho e em grupo e vi a cidade protegida pela atmosfera peculiar das noites quentes, olhando quem meditava na rua, perto da meia noite, quem fritava larvas sem pressa de ir embora e quem passava em direcção a lugares só deles conhecidos.
ResponderEliminarQuem sabe o que Banguecoque teria para mim à luz do dia…certo é que gostei muito de voltar a senti-la através do que escreveste, agora inquieta e desafiadora, entregue a si própria, mesmo quando está a ser visitada :)
E quem sabe o que Banguecoque me poderá reservar ainda, noutro momento talvez... Bjs!
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