segunda-feira, 7 de abril de 2014

O caminho



Seis meses. Seis gloriosos meses, é o aniversário de viagem que esta quarta-feira celebrarei. E para assinalar a ocasião com a solendidade devida decidi passar o dia a bordo de um catamarã, enfrentando uma viagem de dois dias e duas noites pelas ilhas Whitsundays e pela zona interior da grande barreira de coral.

Enfrentando? Enfrentando. A verdade é que viagens de barco sempre foram um dos meus maiores medos. Não me interpretem mal. Como qualquer portuguesa que se preze, sei perfeitamente apreciar a magia de um belo oceano ou curso de água menor. Mas daí a meter-me lá bem no meio dele, balouçando agoniante e incessantemente, sujeita à vontade dos elementos, vai um belo salto. E sim, sei nadar desde os cinco anos. Mas daí a enfiar um tubo na boca, uma máscara na cara e andar feita astronauta marinha a espreitar o que se passa sob a superfície, rodeada de uma das faunas mais fenomenais mas por vezes também mais ameaçadora das redondezas, vai outro grande salto.

Felizmente para mim, não acredito em zonas de conforto. Afinal, é fora delas que tudo o que é interessante acontece. É fora delas que nascemos e nos fazemos gente. E é por isso mesmo que, ainda que vá com o credo na boca, o coração nas mãos e meia dúzia de sacos para o enjoo enfiados na mochila, me alegro pela coincidência de passar este dia especial de uma forma não menos especial.

Seis meses. Às vezes custa a acreditar que já tenham quase passado. Certo é que dentro deles existiu de tudo. Bom, mau, banal. Momentos inesquecíveis, horas de tédio puro. Amizades, antipatias, gente que veio e foi, gente que ficará. Sorrisos e sim, também lágrimas, por vezes felizes, por vezes não. Todo um dia-a-dia, enfim, porventura pouco habitual no seu aspecto exterior, mas comum na essência.

Com o tempo, foi-me ocorrendo que talvez o grande mérito de uma viagem não seja tanto o de mudar as circunstâncias do nosso quotidiano, quanto o de transformar a forma como o vivemos. Viajar devolve-nos ao presente e ensina-nos a prestar atenção. Exige-nos a paciência do pormenor e a liberdade do imprevisto. Predispõe-nos para o deslumbramento, para que nos deixemos levar de olhos, nariz, boca e pele destapados, como crianças entretidas a descobrir o mundo pela primeira vez. E recorda-nos que o mais importante é mesmo parar, cheirar as flores e darmo-nos conta, onde quer que estejamos, que o melhor de tudo não é o destino, mas o caminho.

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Não, este blogue não está morto, mas confesso que deu um trambolhão pela escada abaixo enquanto eu fui ali ao lado viver umas semanas mais desconectadas. Às vezes tem de ser. Mas não é de forma nenhuma um projecto abandonado e assim que eu sobreviva à minha aventura marítima dos próximos dias, estou determinada a voltar rapidamente à escrita, com as histórias em atraso. Espero que voltem também, para descobrirem como segue a trama. Obrigada pela vossa companhia e por continuarem aí!

6 comentários:

  1. Querida Didi,
    Que saudades, tenho sido uma ingrata, nunca mais disse nada.
    Passo, leio, delicio-me, mas a falta de tempo não me deixa fazer mais:( Sorry...
    Já seis meses? Passaram num ápice.
    Mil beijos com saudades. Continuo deste lado a acompanhar e a espreitar de vez em quando.
    Abraço apertadinho
    Lina

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    1. Olá querida Lina! Ingrata nada, eu sei perfeitamente que tem o tempo muito preenchido e só posso agradecer e ficar muito feliz com a sua visita! Também tenho saudades e desejo que esteja tudo bem consigo e família. Um grande beijinho

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  2. Olá Adriana,

    Espero que continues a viver o teu sonho e a partilhá-los connosvo que assistimos maravilhadas e invejosas às tuas aventuras!
    Um bj
    Guida (amiga da Mãe)

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    1. Muito obrigada pela visita e por estas palavras encorajadoras! Prometo esforçar-me por retomar o ritmo da escrita. Um beijinho

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  3. À entrada do dia 9, celebramos contigo. Boa viagem, querida Adriana. Mae e Mário.

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    1. Um abraço apertado aos meus dois queridos seguidores sempre na fila da frente! Obrigada por tudo!

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