domingo, 4 de maio de 2014

A baía onde desceu o dragão

Situada a 165 km de Hanoi, na província de Quang Ninh, a Baía de Ha Long é daqueles marcos turísticos que dispensa apresentações e vale bem a visita. Digam-vos o que disserem, que está sobreexplorada, que está suja, que é sobrevaloriza, deixem dizer... e vão visitar na mesma. Com o seu mais de milhar e meio de ilhotas de rocha calcária emergindo das calmíssimas águas azul-esverdeado, Ha Long Bay - a baía onde, reza a lenda, dragões desceram para ajudarem os vietnamitas a combater os invasores vindos do norte por via marítima - continua a ser uma bela obra da natureza.

Apesar de ser possível realizar a visita de forma independente, no caso optei, como a maior parte das pessoas parece fazer, por um cruzeiro organizado por uma agência. Regra geral, a oferta é de cruzeiros de um dia ou de uma e duas noites, que incluem alojamento e alimentação a bordo e actividades dinamizadas pela tripulação. Dito isto, a escolha de agências e barcos é estonteante: há-os para todos os gostos e orçamentos.

O conselho que, neste particular, corre entre viajantes revelou-se avisado: regra geral tens aquilo por que pagas, ou seja, as opções mais baratinhas de todas escondem, não raro, vários dissabores que conseguem acabar com o entusiasmo do visitante mais bem disposto.

Depois de muita meditação, optei por seguir o conselho de uma colega de quarto e investir uns dolares extra no cruzeiro de uma noite organizado pela agência Vega Travel. E não me arrependi. Aí encontrei uma tripulação amável e um tranquilo mas simpático grupo de viajantes composto por vários casais, uma mãe e uma filha e uma outra viajante a solo.

Durante dois dias vogámos por águas serenas nas baías de Ha Long e Bai Tu Long, envoltos em surtos de rocha escarpada pintalgada de verde a que, por vezes, os locais deram nome em função da sua forma. Cão. Galos que lutam. Casal. E assim por diante. Seguimos o sol no seu subir e descer amarelo. Rondámos aldeias piscatórias flutuantes e vimos aparecer barquinhos com vendedores esperançosos. Visitámos uma enorme caverna, digna de histórias das mil e uma noites, subimos a uma montanha para apreciar a vista lá do alto, descansámos na praia. E, apesar do frio e de um primeiro dia bastante nublado ninguém se recusou a uma pequena aventura em kayak, mais exigente do que à primeira vista se poderia supor. À hora das refeições, os pratos somaram-se, intermináveis, de fazer crescer água na boca, prontos a agradar a todas as sensibilidades, das mais carnívoras à mais vegetarianas. E no conforto de cabines aquecidas e com duche privativo - imagine-se! - resvalámos para um sono tranquilo, ancorados numa lagoa. A meio da noite, despertada por um ruído sem nome, servi de testemunha silenciosa a uma lua de prata entretida a redecorar a baía, depositando gentilmente a sua luz sobre águas e embarcações adormecidas.

Um lar flutuante
Lagartando no convés
Pôr do sol na baía
Vista da montanha Titop
Descansando na praia
A caverna Sung Sot, ou Caverna Surpresa
Estalagmites, estalactites e outras ites
maravilhosas
Luta de galos

2 comentários:

  1. que sonho...! deve ter sido uma parte da viagem absolutamente deliciosa.
    essa ideia é dada não só pela descrição, como também pelas fotografias.
    bj

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    1. Sim, foi realmente uma experiência que me ficará na memória! Um beijinho e obrigada pela visita.

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