Não me lembro de uma idade em que não ansiasse pela viagem.
Um dia, com onze anos, e um amigo igualmente optimista, peguei num mapa de escola, daqueles que se usavam na quarta classe para aprender os distritos, e juntos traçámos o percurso de uma volta a Portugal em bicicleta, com tendas às costas e tudo.
Faríamos quilómetros diários, carregaríamos o nosso equipamento sem problemas de maior e sobretudo viveríamos a aventura das nossas ainda curtas vidas, plena de emancipação! Uma aventura prematuramente abortada, como seria de esperar, com muitas lágrimas à mistura, como também seria de esperar naquelas idades pré-adolescentes.
Um dia, com onze anos, e um amigo igualmente optimista, peguei num mapa de escola, daqueles que se usavam na quarta classe para aprender os distritos, e juntos traçámos o percurso de uma volta a Portugal em bicicleta, com tendas às costas e tudo.
Faríamos quilómetros diários, carregaríamos o nosso equipamento sem problemas de maior e sobretudo viveríamos a aventura das nossas ainda curtas vidas, plena de emancipação! Uma aventura prematuramente abortada, como seria de esperar, com muitas lágrimas à mistura, como também seria de esperar naquelas idades pré-adolescentes.
Justiça
seja feita aos meus pais, a eles devo muitas das viagens e aventuras que vivi depois disso, até chegar à altura de começar eu
mesma a decidir as minhas deambulações. Mas seja
pelo que for, por aquele projecto inicial frustrado ou por outra coisa
qualquer, a vontade de correr mundo nunca mais desapareceu.
É difícil descrever a mistura de doce melancolia e euforia ansiosa que se abate sobre uma pessoa na hora em que vê os seus pertences vendidos em lotes e o pouco sobrante disposto sobre uma mesa, à espera de caber numa mochila de 45 litros e nada mais. É nestas alturas que consideramos o essencial e nos purgamos do acessório, esperando corresponder ao provérbio oriental segundo o qual o viajante nada mais deve possuir do que aquilo que couber numa pequena caixa pendurada ao seu pescoço.
Confesso que este minimalismo é uma das coisas que mais me atrai na viagem e talvez também uma das que mais me desinquieta. Despachado o último caixote para dar ou vender, visitado o último amigo, feita a última despedida, chegamos ao sítio onde mais nenhum objecto ou forma de protecção encobre a essência daquilo que somos, e então a vida vem ao nosso encontro de uma forma crua, sem filtros.
Dizia alguém, cuja identidade já não consigo recordar, que o que procurávamos todos não era o sentido da vida, mas a experiência de estar vivo. Gosto de pensar que assim é. Nas histórias de um livro, nos meandros de uma oração ou no primeiro quilómetro de um longo caminho, talvez estejamos todos à espera da sensação esquiva e inimitável de termos alcançado algo de novo e completamente verdadeiro.
Na hora da partida, uma pessoa nunca sabe se está preparada. Há sempre a dúvida que se instala, embrulhada numa capa de saudade e nervosismo, e sim, também num pouco de medo pelo futuro cujos contornos teimam em não se revelar. Mas gosto de acreditar que estes amargos da alma, como os amargos da boca, são a forma que o nosso corpo tem de nos avisar de que chegámos a território desconhecido, ao sítio onde a rotina cega termina e a descoberta começa.
No dia de hoje, a pouquíssimos do início da grande aventura, considero tudo isto e faço a resenha das últimas tarefas. Dentro de pouco tempo aterrarei no dorso do dragão chinês e o resto, como se costuma dizer, será história. Espero que aqui regressem para a acompanhar.
É difícil descrever a mistura de doce melancolia e euforia ansiosa que se abate sobre uma pessoa na hora em que vê os seus pertences vendidos em lotes e o pouco sobrante disposto sobre uma mesa, à espera de caber numa mochila de 45 litros e nada mais. É nestas alturas que consideramos o essencial e nos purgamos do acessório, esperando corresponder ao provérbio oriental segundo o qual o viajante nada mais deve possuir do que aquilo que couber numa pequena caixa pendurada ao seu pescoço.
Confesso que este minimalismo é uma das coisas que mais me atrai na viagem e talvez também uma das que mais me desinquieta. Despachado o último caixote para dar ou vender, visitado o último amigo, feita a última despedida, chegamos ao sítio onde mais nenhum objecto ou forma de protecção encobre a essência daquilo que somos, e então a vida vem ao nosso encontro de uma forma crua, sem filtros.
Dizia alguém, cuja identidade já não consigo recordar, que o que procurávamos todos não era o sentido da vida, mas a experiência de estar vivo. Gosto de pensar que assim é. Nas histórias de um livro, nos meandros de uma oração ou no primeiro quilómetro de um longo caminho, talvez estejamos todos à espera da sensação esquiva e inimitável de termos alcançado algo de novo e completamente verdadeiro.
Na hora da partida, uma pessoa nunca sabe se está preparada. Há sempre a dúvida que se instala, embrulhada numa capa de saudade e nervosismo, e sim, também num pouco de medo pelo futuro cujos contornos teimam em não se revelar. Mas gosto de acreditar que estes amargos da alma, como os amargos da boca, são a forma que o nosso corpo tem de nos avisar de que chegámos a território desconhecido, ao sítio onde a rotina cega termina e a descoberta começa.
No dia de hoje, a pouquíssimos do início da grande aventura, considero tudo isto e faço a resenha das últimas tarefas. Dentro de pouco tempo aterrarei no dorso do dragão chinês e o resto, como se costuma dizer, será história. Espero que aqui regressem para a acompanhar.
Vou seguir atentamente! A tua escrita nunca desilude e, para além de sabermos de ti, é como se viajassemos um pouco também! :)
ResponderEliminarEla, que bom receber a tua visita e as tuas palavras tão queridas! Pela minha parte, tentarei ser uma boa guia de viagem ;) Beijinhos e continuem a alimentar o vosso blogue, que esse cantinho de leitura do G. está um verdadeiro mimo, até vou pedir à minha Mãe que me faça um igual! :D
EliminarQuerida Adriana, sabes que em momento algum estarás sozinha nesta viagem, pois a tua familia e os teus amigos ansiarão por notícias tuas e estarão atentos ao teu blogue. Por um lado, a distância física faz com que já tenha saudades tuas. Mas por outro lado, a natureza descomunal da tua aventura faz com que esteja mais perto de ti, sempre a pensar o que possa estar a acontecer contigo. Espero que sejam só coisas boas :) Boa viagem!! Anne
ResponderEliminarÉ tão bom ter amigos assim, que nos escrevem palavras destas! Uma pessoa sente-se acompanhada mesmo no canto mais remoto da Terra :) Anne, muito obrigada pela tua visita e sobretudo pela tua amizade. Desejo-te as maiores felicidades para a tua própria aventura e fico à espera de novidades, quando for oportuno ;)
EliminarViva Adriana! Boa viagem. Todos estamos, no planeta Terra, no magnífico Cosmos! Beijos grandes, jab
ResponderEliminarViva JAB e, mais importante, meu Pai! Como é bom viajar e sentir a comunhão fundamental com todas as gentes e coisas vivas ou inertes desse magnífico Cosmos de que falas. :) Beijo grande
Eliminar"Mas gosto de acreditar que estes amargos da alma, como os amargos da boca, são a forma que o nosso corpo tem de nos avisar de que chegámos a território desconhecido, ao sítio onde a rotina cega termina e a descoberta começa."
ResponderEliminarParece-me bem! É tua a frase?
Olá João, obrigada pela visita! Sim, é minha a frase. :)
EliminarVou seguir atentamente os passos desta aventura, e além de ir lendo o que vais escrevendo, espero também ver alguns sketchs que vás fazendo por este mundo fora. ;)
ResponderEliminarQue comece a aventura!
boa sorte! ;)
João! Vieste cá dar através do outro blogue? Ia mandar-te o link por e-mail, mas assim já não foi preciso. ;) De qualquer modo, muito obrigada pela visita e pelos votos. Prometo esforçar-me por pôr aqui um sketch em breve. E sim, a aventura que venha, eu estou preparada! :)
EliminarQuerida Adriana de alma grande. Vejo na tua viagem aquelas que ainda não realizei. Também maravilhosa é a tua disponibilidade em partilhares com os outros as coisas que deixas para trás, dando-lhes uma segunda vida e ajudando-os a ter mais algumas coisas nas suas vidas. Afinal, podem ser-lhes úteis.
ResponderEliminarÚtil é, igualmente, acompanhar a tua perambulação pelo mundo, grande, grande, cuja estrada se abre à tua frente.
No meu imaginário e no dos teus amigos e família, vamos todos viajar contigo e torcer para que seja uma viagem maravilhosa! ::)
Querida Maria, muito obrigada, pela presença e pelas palavras! Fico muito contente em saber que vou tão bem acompanhada :) E já agora, no que toca a viagens ainda por fazer, nunca é tarde... ;)
EliminarCarta aberta de TAM para Adriana:
ResponderEliminarQuerida Filha, em breve terás partido para um novo pedaço do futuro, escolhido e desejado por ti. Com a tua força tiraste-nos, também a nós, da nossa zona de conforto, para andarmos caminho. Vamos espreitar outras paragens com os teus olhos e o teu espírito. A mim, levas-me novamente para longe de casa, repassando continentes e mares, colados ao meu coração, certamente para mais longe, para novos territórios de orgulho, desafio, descoberta, conhecimento e de muita esperança. Ver-nos-ás, o Mário e eu, braços e bandeiras, a crescer, presentes, sempre. Um beijo, boa viagem e todas as bênçãos da Vida. Mãe
A tua ideia inicial foi fazer uma viagem sózinha, verdade? Esquece! A tua tia também vai. E começo já por te dar um beijo do tamanho desse mundo todo que tu vais descobrir. Até já!
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