Não digo que tenha sido simples, nem digo que tenha sido rápido, mas foi seguramente necessário. Se houve coisa que tive por certa logo desde o início da preparação desta viagem foi a de que, embora com alguma pena, não iria manter o arrendamento da minha casa, nem contemplar a hipótese de pagar por um espaço para guardar mobília, máquinas e demais recheio. Era demasiado tempo para que outra solução me parecesse prática e, nalguma medida, percebi que a ausência de uma tal âncora física me ajudaria também a viajar mais leve.
Assim sendo, havia forçosamente que arranjar destino para aquilo que não coubesse na mochila de viagem ou no espaço das gavetas e prateleiras gentilmente cedidas pela família em sua casa.
Tendo lançado mãos à tarefa de triar os artigos para guardar, para vender, para dar e para o lixo, dei-me conta de duas coisas: que uma pessoa acumula em poucos anos tralha suficiente para distribuir por uma pequena aldeia; e que é bem mais fácil acumulá-la que arranjar-lhe novo destino. Para dizer a verdade, não sabia o que fazer com muito do que queria pôr fora de portas.
Ao longo do processo, e com a ajuda da Internet, fui recolhendo algumas ideias e contactos que me foram bastante úteis, e que aqui partilho pelo tempo que possam poupar a outros viajantes com as mesmas inquietações -- ou, porque não, a pessoas que queiram simplesmente uma versão mais arejada e minimalista das suas casas.
Eis o que experimentei:
Eis o que experimentei:
- Vender em segunda mão no portal Olx. Para minha surpresa, revelou-se uma forma rápida e eficaz de trocar pertences desnecessários, sobretudo máquinas e móveis, por algum dinheiro, embora seja preciso flexibilidade na fixação do preço e uma paciência de Jó para lidar com contactos que não dão em nada e com os agendamentos que nos deixam pendurados.
- Perguntar a família e amigos: há sempre qualquer coisa que pode dar jeito a alguém!
- Doar a uma instituição de solidariedade social. No caso, lembrei-me de contactar a Fundação O Século, para material escolar e de papelaria e alguns jogos e bonecos que ainda por aqui tinha, e o Centro de Acolhimento para os Sem-
Abrigo de Xabregas, do Exército da Salvação, para roupa, malas e artigos afins. Tinha também pensado na associação Acreditar, mas pelo que percebi do site, visto que estão em causa crianças com o sistema imunitário debilitado, é necessário que os produtos estejam novos, ou praticamente novos, e os meus já eram antigos, pelo que não quis arriscar. Mas ficou em carteira para uma próxima vez. E porque nem sempre nos lembramos de uma instituição que precise daquilo que temos para dar, é interessante consultar as listas da Bolsa de Produtos, integrada no site da Bolsa do Voluntariado, e que divulga as necessidades materiais das instituições e organizações, na área dos produtos não alimentares.
- Entregar óculos, lentes e armações, mesmo que já velhinhos, ao Lions Clube, que, segundo me explicou uma simpática funcionária, os envia para Espanha, onde são recuperados e expedidos para países em vias de desenvolvimento.
- Entregar livros, revistas, DVD e CD ao Serviço de Aquisições e Tratamento Técnico da Rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa, que depois de uma triagem prévia os envia ou para bibliotecas públicas ou para instituições que deles necessitem.
- Entregar material eléctrico e electrónico à Entreajuda, que assegura a sua distribuição por instituições necessitadas ou, caso já não funcionem e não tenham conserto, o seu envio para a reciclagem.
- Contactar a Câmara Municipal de Lisboa para pedir a recolha de artigos que não possam ser dados nem reciclados, e cuja dimensão ou quantidade impeça que sejam simplesmente deitados fora no lixo doméstico indiferenciado. Ainda sobre lixo e reciclagem, vale a pena tirar dúvidas sobre o que vai para onde nos sites da ValorSul e da Câmara Municipal de Lisboa.
levei comigo
ResponderEliminarOlá mm, muito obrigada pela visita!
EliminarSou uma consumidora voraz deste tipo de literatura. E mesmo estando na estrada há já uns meses e de o peso da mochila ser um lembrete sistemático de que somos prisioneiros de tralha, a verdade é que ao fim de uma semana em qualquer lado o bichinho colector começa a dar sinal de si.
ResponderEliminarÀ tua lista aditaria uma visita a uma das várias lojas cashconverters espalhadas pelo país. O valor que eles oferecem não é muito alto, mas aceitam uma gama muito alargada de produtos em segunda mão (até aqueles tarecos que parecem não interessar a ninguém).